Bastidores

Na vitória e na derrota

O papel do líder em momentos de conquistas e crises

Por Manchete Campos News em 12/05/2024 às 07:32:24

Na última terça-feira, dia 07/05, a quarta rodada da Taça Libertadores da America chamou atenção por uma das grandes zebras da competição. A derrota do Flamengo, finalista e vencedor das últimas edições do torneio, para o modesto Palestino, time que vem surpreendendo no campeonato chileno, mas que tem elenco, porte financeiro e tecnica muito inferiores ao clube carioca.

Além do placar, as consequentes críticas e questionamento ao time, o desembarque da delegação no Brasil foi polêmica devido a calorosa recepção dos torcedores aos atletas, com xingamentos e cobranças, mas que também marcou algo inusitado, porém não inédito: o comandante do time,o técnico Tite, não estava junto a seus comandados na saída do aeroporto ao ônibus, saindo pelos fundos e "fugindo" da exposição e das cobranças que estavam sendo feitas naquele momento. Independente se foi por orientação da Diretoria ou da equipe de segurança (que já estavam cientes dos protestos), esta atitude gerou críticas entre jornalistas, torcedores e alguns dirigentes do próprio clube, onde não houve o papel de lider em proteger o grupo, conversar com a torcida e blindar o elenco passando a confiança de que o comando não é só dentro, mas também fora dos gramados e a todo momento. Durante a semana, também ocorreram protestos no Centro de Treinamento do clube, onde mais uma vez jogadores foram expostos e alvo de criticas e cobrançam de forma mais veemente e ríspidas, exigindo forte aparato de segurança. E o treinador mais uma vez se auto blindou.

Não reincidente, a mesma cena de "abandono" em momentos de derrota aconteceu na última Copa do Mundo, onde em 2022 após a eliminação da Seleção Brasileira para a Croácia nos pênaltis, jogadores e parte da comissão ficaram desolados e chorando em campo, tendo que uns conter e dar força para os outros, enquanto o mesmo treinador foi direto para o vestiário, gerando também criticas e questionamento com relação a esta conduta.

Muitas lições podem ser tiradas destes episódios, e sem fazer juízo de valor, por mais que um jogador esteja confiante e tenha experiência em grandes decisões, o papel de contero emocional, gerar confiança e assumir os riscos do resultado também é do principal responsável por treiná-los: o comandante.

No campo politico, o "comandante" de uma cidade, estado ou país tem papel de formar seu elenco (secretariado) e a cada dia treiná-los para enfrentar os adversários da saúde, segurança pública, vagas nas escolas, saneamento básico, geração de empregos... E ao assumir o comando, deve se ter o minimo de noção dos déficits e metas a serem cumpridas para subir na "classificação do campeonato" e a cada "rodada" entregar bons resultados para a torcida, nesse caso, a população que aguarda um bom desempenho em campo. Durante os anos de mandato, a população faz cobranças, exigências, questiona tudo o que foi prometido em campanha quando o candidato "vestiu a camisa" e disse que seria possivel conquistar vitórias e titulos, trazendo de volta a alegria de torcer pelo seu clube, pela sua cidade.

E o título do torneio vem nas urnas, onde a mesma população tem o poder soberano de aprovar ou reprovar o desempenho do elenco, diretoria, staff do governante local, que tem quatro anos para demonstrar a que veio no período de contratação e janela do campeonato (falando na linguagem do futebol).

Se reprovado pela população, a falha nao foi só do secretariado, mas também do comandante

Se aprovado pelos mesmos, a vitória é de todo time, que deve manter o bom desempenho e crescer ainda mais, entregando e motivando a torcida a torcer por ela, eliminando o perigoso clima de "já ganhou". Afinal, assim como nos jogos, nas eleições a zebra também pode se fazer presente.

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