Bastidores

CGU investiga empresas de fachada e fraudes em licitações de prestadores de serviço do Governo do Estado

Presidente fica surpresa ao ver que empresa recebeu R$ 650 mil

Por Manchete Campos News em 14/05/2024 às 14:40:54

Uma organização social que foi contratada pelo governo do estado por R$ 40 milhões para dar aulas para idosos, sem licitação, subcontratou uma empresa para fornecer equipamentos. A Controladoria Geral da União (CGU) suspeita que tanto a OS quanto a empresa são do mesmo grupo, suspeito de usar laranjas.

A suposta empresa de fachada, a Globo Soluções Tecnológicas, fica em Madureira, na Zona Norte do Rio, em um dos acessos ao Morro do Cajueiro.

A empresa recebeu R$ 650 mil dos cofres do governo do estado e é citada numa investigação da Controladoria Geral da União (CGU), para quem o endereço é uma √°rea de difícil acesso.

No começo da Rua Tatuí, onde est√° registrada a sede da companhia, uma barricada dificulta a chegada. Na parede, est√° escrito: "Tatuí tem dono." Assinado: "Tropa".

Sediada em √°rea dominada pelo crime, a Globo Soluções Tecnológicas foi contratada pela organização social Instituto Nacional do Desenvolvimento Humano (INADH).

Como uma reportagem da TV Globo mostrou na semana passada, o INADH foi respons√°vel por projetos para idosos no governo do estado em 2022 e 2023, com contratos que somam R$ 40 milhões para pr√°ticas como yoga e fisioterapia.

A prestação de contas final dos programas não foi apresentada, ou seja, o valor repassado para empresas pode até ser maior.

A presidente da Globo Soluções, pelo menos no papel, é Sara Vicente Bibiano. O RJ2 foi ao endereço e bateu na porta.

  • RJ2: O nome da empresa t√° no nome da senhora?
  • Sara: Eu ouvi falar.
  • RJ2: A senhora sabe que é presidente dessa empresa?
  • Sara: Eu sou presidente?
  • RJ2: No papel é?
  • Sara: É, fui sorteada?

Apesar de ser representante de uma empresa que fechou um contrato de R$ 650 mil, Sara mora em uma casa humilde. Ela é benefici√°ria do auxílio emergencial, pago para famílias com renda per capita baixa.

  • Sara: É auxílio do governo, eu até ganho Bolsa Família, que fui no CRAS de Realengo, recebo de l√°. Estamos desempregados, meu esposo e eu.

O nome dela também aparece em outros papeis. Ela foi conselheira e membro do Conselho Fiscal da Organização Social INADH, que contratou a Globo Soluções.

  • RJ2: Mas trabalhar nessa Globo Soluções Tecnologias, j√°?
  • Sara: Não, que eu me lembro, muito tempo.
  • RJ2: Mas voc√™ j√° trabalhou como conselheira no IBRAG, INADH?
  • Sara: Não, com certeza não.

Investigação da CGU

As suspeitas sobre a empresa de fachada surgiram numa investigação da CGU, em contratações federais.

No caso de Brasília, a CGU encontrou diversas irregularidades: não aplicação dos recursos, custos superestimados e pagamentos para execução de serviços que não foram realizados, o que também pode ter acontecido nesse caso, como mostram documentos do próprio governo do estado.

A Globo Soluções Tecnológicas vendeu produtos de fisioterapia para o INADH. Ao fim dos programas para os idosos, os equipamentos deveriam ser entregues à Secretaria de Envelhecimento Saud√°vel, o que não aconteceu.

Em um documento, o governo do estado admite não ter encontrado os bens adquiridos com recursos do estado da empresa investigada e que ela não provou com extratos banc√°rios a correta aplicação dos recursos públicos.

Segundo a CGU, a vendedora — a Globo Soluções Tecnológicas — aparenta ser de fachada por não ter infraestrutura operacional para prestar os serviços nem funcion√°rios, além de registrar endereços residenciais.

O Tribunal de Contas do Rio (TCE-RJ) entende que esse tipo de contratação é irregular. Uma organização social não pode contratar uma empresa ligada a ela própria.

Na semana passada, o RJ2 j√° tinha mostrado outras suspeitas relacionadas ao INADH. H√° indícios de concorr√™ncia forjada para ganhar contratos milion√°rios.

A CGU afirma que o INADH, o IBRAG — que é outra organização social — e a Globo Soluções possuem o mesmo e-mail, que começa com as letras DGA. Para os investigadores, as iniciais de Diego Gomes dos Anjos.

  • Sara: A IBRAG é do seu Diego.
  • RJ2: Seu Diego?
  • Sara: É, seu Diego, ai meu Deus, ele trabalha, ai meu Deus do céu, esqueci.
  • RJ2: J√° trabalhou com ele?
  • Sara: Não, não.

Ele é apontado como o verdadeiro respons√°vel por todas essas empresas e é como se todas elas fossem uma coisa só.

O RJ2 voltou a procurar a organização social INADH, Sandra e Diego dos Anjos, mas não teve retorno.


Fonte: G1

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